2006-10-14

Martha de Mesquita da Câmara

Com preferência pelo soneto, sem exclusivismo, Martha de Mesquita da Câmara (1895-1980), que um Jaime Cortesão aprovava, pelo sentimentalismo contido e pela depuração formal, como a principal poetisa portuguesa (Gaspar Simões punha-a ao lado de Florbela Espanca e José Régio viria a distingui-la com atenção crítica), contribuiu decisivamente para o enriquecimento da década de 20 com as colectâneas Triste (1924), Arco-Íris (1925) e Pó do teu caminho... (1926), permitindo o último terceto do soneto "Ser Mulher" a inferição do estado da condição feminina epocal: "Não vinhas, fui-me embora a padecer, / A pensar, a sentir que ser mulher, / As mais das vezes, é não ser ninguém!" [1]
[1] Martha de Mesquita da Câmara, Pó do teu caminho..., Lisboa, Edição da "Seara Nova", 1926, p. 61. Por saber de experiência feito, é vulgar apareceram, em diferentes obras de cariz literário, informações contraditórias entre si. Poderá não ser grave. Mas é, sem sombra de dúvida, um convite ao saber minudente e cauteloso. Isto vem a propósito da propalada data de 1928 como ano de publicação de Pó do teu caminho... da poetisa em causa, informação que o cólofon antecipa para 1926 (Martha de Mesquita da Câmara, op. cit.). A obra de Martha de Mesquita da Câmara aparece reunida em Poesias Completas, Porto, 1960, conhecendo-se-lhe posteriores criações em jornais.

5 comentários:

Franceska disse...

Não conhecia mas fiquei com curiosidade. Beijos...

hfm disse...

Não conhecia. Vou procurar.

Mendes Ferreira disse...

"padecer assim"....


excelente.....Martim.


beijos.

duk disse...

Gostei de conhecer... Abraço...

konde disse...

Outra bela recordação! Abraços!