2006-10-18

Kuhn e o paradigma




A noção de paradigma foi trazida para a ribalta, para a moda até, pelo filósofo, historiador e sociólogo das ciências Thomas Kuhn, em 1962. De facto, o intelectual norte-americano, no ano supracitado, em A Estrutura das Revoluções Científicas, postula que a história das ciências não se baseia no confronto teórico, mas antes nas relações das teorias com os respectivos contextos e nas suas capacidades explicativas. Mas ouçamos um evocativo trecho kuhniano:

O historiador da ciência que examinar as pesquisas do passado a partir da perspectiva da historiografia contemporânea pode sentir-se tentado a proclamar que, quando mudam os paradigmas, muda com eles o próprio mundo. Guiados por um novo paradigma, os cientistas adotam novos instrumentos e orientam seu olhar em novas direcções. E o que ainda é mais importante: durante as revoluções, os cientistas vêem coisas novas e diferentes quando, empregando instrumentos familiares, olham para os mesmos pontos já examinados anterior-mente. É como se a comunidade profissional tivesse sido subitamente transportada para um novo planeta, onde objetos familiares são vistos sob uma luz diferente e a eles se apregam objetos desconhecidos.[1]

Deste modo, fácil se torna inferir que o cientista, ultrapassada uma qualquer fase tradicional, é obrigado a reeducar a percepção do seu meio e a reaprender as novas formas, mesmo que tal implique uma ruptura total com as "verdades" de toda uma vida. E a existência de dissonâncias no meio científico ou literário, afinal, explicar-se-á à luz de paradigmas diferentes em vigência e em contacto. O certo é que "embora o mundo não mude com uma mudança de paradigma, depois dela o cientista trabalha em um mundo diferente."[2]

[1] Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas , S. Paulo, Ed. Perspectivas, 1976, pp. 145-146.
[2] Id. , ibid. , p. 157.

6 comentários:

hfm disse...

Por tudo o que aqui venho aprender, pelos teus/nossos afectos não perco as minhas visitas e regresso sempre! obrigada.

duke disse...

Importante... Abraço...

Franceska disse...

Muito interessante para a compreensão de tudo, parece-me. Beijos!

Mendes Ferreira disse...

v o r a g e n s !


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e nestas "sinopses" viajamos.


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beijo Martim.


p-S.
(recebeu o meu pedido "oficial" das revistas?)
:))))

martim disse...

sim, isabel, seguem em breve. bjo.

konde disse...

Sempre importante, de facto. Abraços!