2006-04-24

reflexão apressada de 24 de abril

ponhamos a questão assim. não saber se as décadas de "liberdade" terão realmente valido a pena. e, no entanto, assim deveria acontecer. e, no entanto, um grosso pântano criado por uns quantos para as "famílias" invade o espaço íntimo da ética. lembro, a propósito, um esquecido e lutador. Afonso Ribeiro, apreendido, dono de uma palavra directa e sentida, tombou no esquecimento. deslido, encontro nele a metáfora do país. leia-se, na onda, o início do romance Aldeia e aplique-se, qual unguento, à pele mais dorida:
A aldeia ergue-se no fundo de um vale. Vale pequeno. Também a aldeia é pequena; cinquenta e um fogos. Nem mais um.
As casas alinham-se ao longo da estrada de macadame. Além desta rua a aldeia conta duas ruelas e um quelho. O quelho, de inverno, é coberto de mato.
No topo norte do povo fica a igreja. Em frente da igreja há um largozito.
A meio da aldeia é a taberna. Taberna e mercearia ao mesmo tempo.
assim um país. o nosso.

4 comentários:

konde disse...

Concordo e abraços.

Mendes Ferreira disse...

a pele deste país descama como folha AMORTECIDA....E NOS ASSISTIMOS...sem o fogo....


metáfora que um dia foi de abril.


beijo Martim.

Francisca Manson disse...

Com efeito, somos mais ou menos assim! Beijos...

marakoka disse...

somos em todos os sentidos muito pequeninos....

jocas maradas