2006-11-15

olho-te

rompo o soalho a velha madeira
e persigo o que foge fora de mim.

como vulgar aracne rodopio
hesito na volta enclavinhado.

o mar chama e já não vou assim
transido na braçada de espuma.

desço agora pelo alçapão do corpo
e nas crinas das veias sangue sou.

que olhar o teu que não olha o meu?

12 comentários:

Susana Barbosa disse...

... portentoso olhar!

hfm disse...

mais outro, Martim, belíssimo!

duk disse...

Monumental mesmo. Abraço espantado!

Franceska disse...

Gostei muito, muito... Beijos...

veritas disse...

Olá!

Passei por aqui e gostei de ler-te!
Voltarei, com toda a certeza!

Um abraço.

duque disse...

Olhamos nós, os de sempre. Abraços e...

as velas ardem ate ao fim disse...

Se não te olha é porque está cega!

Gostei de passar por aqui...vou voltar.

Bjinhos

Su disse...

olha.me

jocas maradas

konde disse...

Muito bom... Abraços vários...

duke disse...

Poderoso texto. Abraço forte...

Mendes Ferreira disse...

"desço agora pelo alçapão do corpo
e nas crinas das veias sangue sou."
_______________




vou-me.

eu que nada sou!


vou-me de alma lavada.


_____________


beijos!

teresamaremar disse...

ok que, olhos nos olhos, as palavras até se dispendam, mas talvez até que olhar na mesma direcção seja mais profícuo.
E depois, eu até acho que os olhos podem mentir, quem não mente são as mãos... o que fazemos com elas, o que fazemos quando não sabemos o que fazer com elas...
:) e vai daí que os franceses dispersem o olhar entre um "voir", um "regarder" e um "observer".

Gostei. E a imagem que me veio foi a do "Le faux miroir" de Magritte. Adoro Magritte!! (soubesse eu colá-la aqui)
Beijos