2006-11-28

Memória do "13º Encontro de Estudos Portugueses" (conclusão)



João Minhoto Marques

A.M. F. e Paulo Pereira A.M.F. e José Manuel Cymbron

A. M. F. e Carlos Morais A. M. F. e Pablo Ballesteros

A. M. F. e Pedro Corga Cândido Oliveira Martins
Decorreu, na Universidade de Aveiro, entre os dias 23 e 24 de Novembro, o 13º Encontro de Estudos Portugueses, desta vez subordinado ao tema “Escrever a ruína”.
A sessão de abertura esteve a cargo, como tem sido hábito, de Eugénio Lisboa, não espantando também que a sua brilhante comunicação, intitulada “A particular tristeza das ruínas”, versasse sobre um conto regiano, retirado de Histórias de Mulheres, em que se tornou visível a particular resistência dos restos visíveis e a suspensão operada, como se a menina Olímpia não tivesse consciência do tempo.
Abriu de seguida o painel do resto da manhã, debruçando-se António Manuel Ferreira sobre os “sinais de ruína na poesia de Joaquim Manuel Magalhães” (tal era o título da comunicação), frisando o conferencista a capacidade do poeta imergir na vida, bem como a sua capacidade tensional de apresentar ora uma inquietação erótica, ora uma serena satisfação causada por um erotismo real, apresentando-se ainda plasmado na obra do poeta um caminho melancólico, mas enérgico; trouxe, de seguida, Eduardo Pitta uma interessante descida aos abismos da poesia de Al Berto, desenvolvendo a proposição “Al Berto: o ersatz da ruína”; o painel da manhã terminou com a intervenção de Rebeca Sanmartín Bastida, que veio falar sobre a ruína em La Celestina de Fernando Rojas, frisando nesta obra espanhola de impacto mundial os aspectos macabros e eróticos.
Ao início da tarde, Francisco Maciel Silveira trouxe ao auditório o fascinante trajecto de Nelson Rodrigues, escritor brasileiro polifacetado, seguindo-se Maria Aboal, que falou sobre a ruína do corpo na biografia San Francisco de Asis de Emília Pardo Bazán, e Flavia Maria Corradin, que trouxe até nós a força produtiva do dramaturgo Jaime Gralheiro. Interesse momento foi ainda a intervenção do advogado-escritor, que, estando presente, participou do animado debate final.
No dia 24, Eugénia Pereira debruçou-se sobre Léah e outras histórias de José Rodrigues Miguéis, aí encontrando a académica a deflagração irónica como culto à memória e a memória como viático para a ruína; João Minhoto Marques trouxe as imagens ruinosas da desilusão lúcida em Nuno Júdice; Paulo Pereira apresentou a comunicação “Contar contra a ruína”, baseada no romance Lilias Fraser, de Hélia Correia, onde se historiografa a vida da escocesa Lilias Fraser entre a batalha de Culloden, na Escócia, em 1746, e o encontro, em Lisboa, no final do século, entre Lillias e Blimunda, personagem de Memorial do Convento, de José Saramago; José Manuel Cymbron fechou a sessão matinal, abordando diversos traços da ruína nacional em Camões e Miguel Torga.
Pela tarde, Carlos Morais falou sobre a força trágica clássica que incide, sob acção dos deuses, no caminho do homem; Pablo Ballesteros abordou a decomposição do corpo sifilítico segundo um tratado médico-literário do quatrocentista López Villalobos; Pedro Corga incidiu a sua prelecção sobre o romance de Ana Teresa Pereira Matar a imagem, aí detectando linhas ruinosas; por último, Cândido Oliveira Martins desenvolveu a titulação “Alegoria da ruína: Eça de Queirós reescrito por Mário Cláudio”.
Parabéns à Universidade de Aveiro e ao Professor Doutor António Manuel Ferreira, que permitiram mais um brilhante encontro com a cultura…

2 comentários:

conde disse...

Belíssimo tema....... Abraço.

kikamanson disse...

A ruína é a vida! Beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!