2006-09-28

O amor em Oliva Guerra

De romantismo e sentimento quanto baste, OLIVA GUERRA (1898-1982), como poetisa, faz publicar Espirituais (1922), Encantamento (1926) e Ritmos (Conferências-1928), contribuindo assim decisivamente para a ebulição intelectual da agitada década de vinte e para a afirmação da mulher-criadora. Se olharmos para o livro de 1926, depois do soneto de abertura "Encantamento" ("Mas nesse anceio d' ir mais longe, a vida / É mais bela aos meus olhos, à medida / Que a vejo à luz do meu encantamento."[1]), seguem-se poemas dentro de três grandes títulos: "Exaltação", "Três datas" e "Portugal". Sob a primeira divisão titular, quase sempre em soneto, aparecem-nos temas relacionados com o carácter inefável do sentimento amoroso ("E, murmurando apenas sons banais, / Nós sentimos que é sempre muito mais / Aquilo que nos fica por dizer.", "Aspiração", p. 14), com o desamor da rotina que "num esperar contínuo se resume" ("Sempre", p. 22) ou com a saudade ("Encontro"), no meio de tantas outras possibilidades. Ainda assim, com subsistência de alguns poucos e raros momentos de espanto literário, a toada não deixa de ser banal.

[1] Oliva Guerra, Encantamento, Lisboa, Tip. da "Portugalia", 3ª edição, 1926, p. 7. As tiragens de cada edição eram reduzidas, o que explica, desde logo, o aparente grande êxito de alguns dos livros publicados na década de vinte. Esta obra de Oliva Guerra, que possuo, é a terceira edição, não obstante a primeira ser do mesmo ano. E por aí se ficou até 1975, ano que Oliva Guerra publicou À Esquina do Tempo (Versos: 1922-1974), Lisboa, Edição da Autora, 1975. Ritmos conhece no mesmo ano de 1928 a 2a edição (Lisboa, Sassetti & C.a, Editores).

5 comentários:

Mendes Ferreira disse...

não conhecia...e imagino que tenha feito um certo "sururu"...:)))).


boa. vivam as mulheres...:))))

e o Martim... o "povoador" da literatura...
beijos mil.

konde disse...

Escavação que tanto mostra! Obrigado!

sabr disse...

O amor, pois...bom dia Martim, abraço.

Franceska disse...

E tanto por dizer e por conhecer! Beijos!

Nieta disse...

A minha avó paterna e a Oliva Guerra eram primas direitas. Ainda convivi muito com a Oliva, cuja personalidade foi,ainda é inesquecível para mim.Nem imaginam a força desta mulher, o quanto ela foi diferente na sua época!
Abraço amigo
Antonieta