2006-02-05

Aprender a chorar: Ilse Losa (1913-2006) não morreu

É impossível não lembrar sempre a escrita ática de Ilse Losa. Livros como o romance O Mundo em que vivi (1943) ou os contos e novelas de Aqui havia uma casa (1955) são lugares maiores da nossa literatura. Nascida em Bauer, na Alemanha, Ilse Lieblich Losa, de ascendência judaica, deixou ainda obra vultuosa, seja como ficcionista para adultos e crianças, seja como tradutora e divulgadora da cultura portuguesa.
De Aqui havia uma casa , cito o maravilhoso início de "A chávena", para comprovar, mostrando, a maturidade e leveza da escrita losiana:
Era um Verão com muito sol e mar. Tomávamos, depois do almoço, o nosso café na vilória que distava da praia cinco minutos de bicicleta, onde ele tinha fama de excelente. Uma tarde, ao vadiar pelas ruelas, parámos em frente duma montra. Sobre panos quase barulhentos de vermelho e amarelo dormitavam almofarizes de bronze, louças chinesas meio quebradas e copos verdes.
É uma delícia, não é?

4 comentários:

Konde disse...

claro que é...

spartakus disse...

Ke sa foda a ilse e viva Olivença!. bom dia Kamarada.

Mendes Ferreira disse...

o vermelho em equilibrio de sons claros....

e toda a simplicidade virá ao de cima....


beijo Martim.

porfirio disse...

aqui havia?... aqui há... há e é vida sempre a tragar, pão qu'habita as veias... aqui há vida... definitivamente.

abraço