2016-01-10

Vem aí «O caminho fica longe» (1943), de Vergílio Ferreira


Vem aí O caminho fica longe (1943), de Vergílio Ferreira

Escrito de janeiro a dezembro de 1939, entre Coimbra e Melo, este romance de Vergílio Ferreira O caminho fica longe, que acabou de imprimir-se aos 25 de agosto de 1943, veio a integrar a prestimosa «Biblioteca da Nova Geração» da Editorial “Inquérito”. Uma bonita ilustração de capa incorpora, na visão sobre a cidade de Coimbra, um caminho terreno e etéreo, abrindo, desde logo, a expetativa de um caminho intangível e impossível.
Trata-se, indubitavelmente, de um grande romance já, com um conjunto de propriedades, estruturais também, que só fazem lamentar que o objeto não tenha tido a receção devida e que, já agora, o próprio escritor para tal tenha contribuído, com o fechamento e exclusão da obra canónica. Como exemplar de uma carreira nascente, este romance contém um conjunto de atrativos a respeitar: seja a influência queirosiana, utilizada, sem angústia, com peso e medida; seja o halo modernista de uma certa ficção à Mário de Sá-Carneiro e de induções à Álvaro de Campos; seja ainda a ágil utilização das temáticas existencialistas (a morte e a vida, a condição humana, o sofrimento…) ou a filia cinemática, à boa maneira presencista, com aquele interessantíssimo «Intervalo»; seja, por fim, a linhagem neorrealista que o livro também abraça.
Felizmente, pode o público, no próximo mês, adquirir por preço módico este caminho e romper com mais um impossível silêncio.

Viseu, 10 de janeiro de 2016

Martim de Gouveia e Sousa

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