2007-05-28

sanguínea

do olhar uma vertigem uma viela suja
e dos currais só o cheiro a velha morte.

nada interessa dentro do pântano assim
e nem as velhas aldeias ao acaso do rito
hão-de abraçar a sumptuosidade do acto.

quem quiser que o queira e na funda dor
acorde do rito o veneno saia castrador
como um enigma no verniz da usurpação.

pelos vinhos o sangue nas veias avisa que
das cinzas os poetas nascem alba e gancho
rompendo as veredas para dentro da luz.

eis o trigo sem altar saqueado ou harpa
corrompida pelos golpes terroristas.

a pele pressente e aceita a ânfora do sangue.

8 comentários:

duke disse...

Belíssimo poema!!!!!

morffina disse...

... sangue que alívia ...

Abraço
MF

Anónimo disse...

o duque disse.









belíssimo.


aqui sim. se rasga o dia.


harpa antiga....


beijo.


Martim.




y.

veritas disse...

Nostálgico cenário me é evocado, sucessão de imagens que desvelam uma das épocas mais felizes da minha vida, a infância: currais, vielas, pântanos/ canaviais, vinho e trigo...
"a pele pressente e aceita a ânfora do sangue" e o meu traduz ondas de paixão por um paraíso perdido, mas não irrecuperável...vive no meu ser total...

Bjs. Boa semana.

konde disse...

Também gostei deste sangue...

isabel mendes ferreira disse...

e digo TRIGO!

isabel mendes ferreira disse...

e digo Altar.

conde disse...

Belo e profundo altar...