2007-07-11

o medo até

mutila-se a água o braço mesmo
e da dor só a lentidão do sangue
tingindo o branco a pequena face.

eterna a hora desfibra o azeite
o coração combustível explode
e da pele os cactos florescem.

da escrita as letras tombam
como basalto sobre pedra indo
à sonolência da memória longe.

um dedo hirto no caminho
lembra a infinita espera a cruz
apodrecendo no centro da chuva.

é este musgo o teu sinal ferido
o medo até.

9 comentários:

Susana Barbosa disse...

musgo. medo. música. muito ou pouco é vida. bjo

Anónimo disse...

basalto ardente. mordente.


ressalvo o musgo.

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que saudade. de "assim".
beijo Martim.



y.

hfm disse...

Belo poema e com um final que tudo congrega.

veritas disse...

Vamos desfibrando essas eternas horas, afastando o medo, usufruindo de encantatórias palavras...

Bjs. Boa semana.

porfirio disse...

.
.
até.
.
aqui
.

.poema de palpação.

:belo:

aquele abraço!

duque disse...

Belo mesmo...

Anónimo disse...

boa tarde Martim.

deixei um pedido no Al.


pode ser?

obrigada.


y.

morffina disse...

Mais vale não esperar por aquilo que não vem.

Abraço
MF

martim de gouveia e sousa disse...

penso que pode ser, y... bjo.