2007-11-01

cegueira, pois...

pedra sobre pedra a terra.

sobre os ossos frios quente
o sol fende as vísceras fundo
e do calor opaco de basalto
uma flor envolve-te a pele
o laminado das pontas acre
desejo que exercito debaixo
dos olhos declinados na laje
rugosa morada última vista
na evidente condição humana.

perfurante enigma cego, digo.

2007-10-30

amanhece

ardes assim debaixo das vides
e nem a pique a carne prisioneira
é gota rubra contra a faca do dia.

"Guerra Peninsular: 200 Anos" - Exposição na BN


2007-10-28

GENTE SINGULAR editora





Aqui estão as duas primeiras publicações da Gente Singular editora. "Ave-Azul", associando-se ao evento, disponibiliza-se para fazer chegar os títulos aos interessados. Todas as informações sobre custos e envios serão dadas através do mail presente na página, logo abaixo.

2007-10-27

"Josep Renau. Arte y Propaganda en Guerra"



"Diálogos Oportunos" no Centro Municipal de Cultura de Castro Daire

"150 Años (1856-2006) - Teatro de la Zarzuela"



Arquitectar 07


2007-10-25

"Cata Luzes" no Cine-Teatro S. Pedro, hoje...

1º Colóquio - Voltar a Ler Tomaz de Figueiredo



O Soneto da Minha Dor


Eu que no princípio era um optimista
olhando a vida só pelo que tem de são
bem cedo mergulhei na vaga confusão
de treva onde se perde, incerta, a minha vista.

E aprendi a ser irónico e trocista
a considerar o Bem como um conceito vão
e não enxergo nada nada desde então
que mereça um olhar do meu olhar de artista.


Tudo é vaidade, fumo negro, sombra vaga
no temporal do oceano escuro desta vida
que vai quebrar, não sei em que remota plaga.


- Como dizias bem, ó Salomão, meu Sábio,
não há nada que valha a náusea incompreendida
no rictus indiferente e crasso do meu lábio.

Coimbra, 1923