2008-08-13

"Desaparecido" de Carlos Queiroz


Desaparecido

Sempre que leio nos jornais:

«De casa de seus pais desapar’ceu...»

Embora sejam outros os sinais,

Suponho sempre que sou eu.

Eu, verdadeiramente jovem,

Que por caminhos meus e naturais,

Do meu veleiro, que ora os outros movem,

Pudesse ser o próprio arrais.

Eu, que tentasse errado norte;

Vencido, embora, por contrário vento,

Mas desprezasse, consciente e forte,

O porto do arrependimento.

Eu, que pudesse, enfim, ser eu!

- Livre o instinto, em vez de coagido.

«De casa de seus pais desapar’ceu...»

Eu, o feliz desaparecido!


Carlos Queiroz
Desaparecido e Outros Poemas
Lisboa, Livraria Bertrand, 1950

1 comentário:

Pedro disse...

Olá, eu gostava mesmo que me respondessem e que me dessem um endereço de e-mail, e queria saber se a Sílvia já vos mostrou as fotos que eu tirei, e já agora queria que me facultassem o endereço de e-mail da Sílvia. Muito boa noite.