2008-07-23

sonho em dia de exame


I

como se sol a ferida fosse
espiga de aço rompe a pele
trazendo fungos quotidianos
unidos ao embrulho do corpo.

breve traço ilumina o rosto
e do ácido da boca um grito
rompe pelas veias fundas
e na pletora dos tecidos.

um prego de aço cruza o dia
rápido abismo sobre o flanco
assim dado à fluidescência
como se água em sujo pântano.

lento outro corpo chega junto
abrindo-se à permeabilidade
como se o futuro aí estivesse
nessa ferida contra o sol.


II

serpe alada
desce
e o corpo
cresce
emotiva palavra
assim corrente
dentro
dos olhos pálidos
dentro só.


III

pálida a voz
rouco o corpo
assim jazente…


IV

grito cava
voo rasante
traz o dia
e o fumo dentro da casa.

V.

fenece a luz
e o ditirambo
ferve
lamparina sendo.


VI.

vem a morte
vem o rito
de ti a face
que fito.


VII.

tubular um grito
cai no silêncio da noite
e invade-te a casa
através das telhas.


VIII.

claro que podes
desde que o saibas…


IX.

no indefinido ardor
o óleo da pele
à memória chega –
uma ode cai no mar
e a água foge da terra.


X.

pinga a pinga o sangue
do corpo vivo e exangue…

2 comentários:

konde disse...

Felizmente há palavras... Abraço!

Anónimo disse...

felizmente hÁ PAIXÃO.






beijo.





y.