FICHAS (UM): Luiz Ruffato (2019). O verão tardio. São Paulo: Companhia das Letras.
Na sequência epigráfica de um verso de Drummond de Andrade (“E sempre no meu sempre a mesma ausência”), mas não só, eis um notável fresco, que é uma subtil e tocante nota sobre o Brasil dos nossos dias. Na senda diarística e memorial, a matéria estende-se em tensão temporal entre os dias 3 e 8 de Março e o início diegético é magnífico e sedutor: “Os pés arrastam-me através de um imenso deserto”.
Por sortilégio de vida, conheci Ruffato em Brno, sem nada haver lido de sua autoria, embora tendo na minha biblioteca um dos seus livros – este, de que gostei muito e que li no regresso, já por finais do último Novembro.
É um livro sobre cada um de nós, sobre a inapelável condição humana, os nossos modismos e formas de ser, os pequenos prazeres, as tragédias, e muito sobre mim, o que foi mais um incindível encontro com o escritor que a mim chegou, uma vez mais, através desta leitura realizada em finais de Novembro de 2025 que me desvelou um autor ágil, denso e inadiável. Afinal, mais um para a minha necessidade de escritores fundamentais e originais, de estilo marcante e forte.
São poucos dias, é um só dia sempre igual e absurdo como tantas vezes a vida.
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