2026-09-06

FICHAS (QUATRO): Silviano Santiago, "Mil rosas roubadas" (2014). São Paulo, Companhia das Letras.



FICHAS (QUATRO): Silviano Santiago, "Mil rosas roubadas" (2014). São Paulo, Companhia das Letras.

É uma longa e exaltante reflexão sobre a vida e a amizade. Romance lírico de portas adentro, muito se passou entre aquele ano de 1952 em que os dois se encontraram numa paragem de autocarro e o ano de 2010, quase sessenta anos passados, em que o tu narrativo agoniza numa cama do Hospital São Vicente, no Rio de Janeiro. Lavrantes, no entremeio, avultam reflexões de grande quilate como, por exemplo, esta: “De que adiantam os dois volumes do "Dicionário de Cândido de Figueiredo", que tronam em casa e na escola, se não trazem os vocábulos cujos significados não registram e intrigam? De que adiantam os vários volumes do "Tesouro da juventude", dispostos em percalina azul na estante do escritório paterno, se eles não respondem à questão mais importante da vida, que nos move?” (p. 41).
Questionando géneros e fronteiras, o texto de Silviano Santiago é a voz do biógrafo e do autobiógrafo e o culto intemporal do memorialismo e da malha cultural. Sim, para ler e chorar por mais.