dia após dia volto às palavras
esgotando o ano as águas
sabendo que a cidade branca
a memória hão-de silenciar-me.
resisto séculos passados
e contra o silêncio escrevo
não temendo a defecção
ou os lugares desabitados.
antes das chuvas sinto a pele
abrindo estiolando na carne
as vinhas desordenadas
apodrecidas já dentro do corpo.
voltarei a lisboa ao poema litoral
cortando a noite o desejo breve
e nada direi da solidão do vento
nem do mar afundado na terra.
do ano que finda anoitece a lua
o fogo das ravinas o abismo cego
dos nomes dezembrinos rindo
esmagados pela violência do betão.
eu ainda não conheço as palavras
e menos sei do rumor emparedado.
"eu ainda não conheço as palavras
ResponderEliminare menos sei do rumor emparedado."
sabes mais do que pensas ou sentes mas ainda bem. Sócrates, o outro, não este, está contigo.
Bom ano!
Mais uma vez muito interessante. Bom ano!
ResponderEliminarBom ano, cheio de palavras... Abraço!!!!
ResponderEliminarBOM ANO !
ResponderEliminarAJ
Vai ser um 2007 em cheio!
ResponderEliminarParabéns Martim Lourenço.
Abraço.
Um Feliz 2007
ResponderEliminar:)
Brilhante texto, para guardar! Abraço e boa passsagem.......
ResponderEliminarolivença é nossa...
ResponderEliminarmartim, aqui te deixo o primeiro abraço de 2007.
ResponderEliminar