2006-11-15

olho-te

rompo o soalho a velha madeira
e persigo o que foge fora de mim.

como vulgar aracne rodopio
hesito na volta enclavinhado.

o mar chama e já não vou assim
transido na braçada de espuma.

desço agora pelo alçapão do corpo
e nas crinas das veias sangue sou.

que olhar o teu que não olha o meu?

11 comentários:

  1. mais outro, Martim, belíssimo!

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  2. Anónimo3:46 p.m.

    Monumental mesmo. Abraço espantado!

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  3. Anónimo4:31 p.m.

    Olá!

    Passei por aqui e gostei de ler-te!
    Voltarei, com toda a certeza!

    Um abraço.

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  4. Anónimo7:56 p.m.

    Olhamos nós, os de sempre. Abraços e...

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  5. Se não te olha é porque está cega!

    Gostei de passar por aqui...vou voltar.

    Bjinhos

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  6. olha.me

    jocas maradas

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  7. Anónimo11:09 p.m.

    Muito bom... Abraços vários...

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  8. Anónimo11:29 p.m.

    Poderoso texto. Abraço forte...

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  9. "desço agora pelo alçapão do corpo
    e nas crinas das veias sangue sou."
    _______________




    vou-me.

    eu que nada sou!


    vou-me de alma lavada.


    _____________


    beijos!

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  10. ok que, olhos nos olhos, as palavras até se dispendam, mas talvez até que olhar na mesma direcção seja mais profícuo.
    E depois, eu até acho que os olhos podem mentir, quem não mente são as mãos... o que fazemos com elas, o que fazemos quando não sabemos o que fazer com elas...
    :) e vai daí que os franceses dispersem o olhar entre um "voir", um "regarder" e um "observer".

    Gostei. E a imagem que me veio foi a do "Le faux miroir" de Magritte. Adoro Magritte!! (soubesse eu colá-la aqui)
    Beijos

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