2006-11-13

corpos comunicantes (?)

maria joão franco


Já que vieste, entra.
(Desculpa esta expressão. Soa-me ao “já agora” do cumprimento.)
(Estou sempre à tua espera. E estarei, pois não vens para ficar e daqui a pouco partirás.)
A casa está vazia mas tenho livros novos.
(Abro as janelas e entra luz e ar. Miro-te de soslaio para não te constranger com os olhos. Estás mais magra. Tens olheiras. Um pouco desarrumada. Pressinto em tudo que vens a sofrer de algures mais um chagrin. Nada te pergunto. Não sei se queres falar. Não sei se quero ouvir. São tramas tão de mim ausentes…)
Queres que te encha a banheira com água quente?
(Baixas os olhos e não respondes. Acendes mais um cigarro que muito me incomoda. E tu sabe-lo. É o quarto e só há pouco entraste. Noto-te as unhas descuidadas nas agitadas mãos de sempre, grandes e ásperas. Mãos de bater. Mesmo o cabelo vem quebrado e corredio de tanto adejar. Sem graça. Só aos olhos deste um contorno em negro.)
Queres que leia para ti?
Não.
Vou-te descascar maçãs?
Não.
Ponho música?
Não.
Senta-te só ao pé de mim. Assim. Abraça-me por trás. Respira-me na nuca. Agora, mexe nos meus cabelos, no meu pescoço. Sim. Respira comigo. Eu conto até três e expiramos todo o ar. E após, até três de novo, e inspiramos juntos. (E eu adormeço.)
(Quando acordar estarás ainda imóvel, com os dedos, as mãos, os braços e o tronco dormentes. E eu estarei lassa e queda. Então encherás a banheira. Despir-me-ás. Dobrarás a minha roupa amarrotada. Dar-me-ás um longo banho cálido com os sais do oriente, para mim guardados. Depois, secar-me-ás o corpo e os cabelos, a teu modo.
Lavarei a boca para te agradecer.)
Bem hajas.
(Comerei duas maçãs por tuas mãos dadas e uma colher do mel.
E porque então já será noite, partirei. Não sei para onde nem sei porquê. E nada me dirás. Nunca dizes. Cerrarás a porta quando deixares de me vislumbrar, lá além.)
Voltarei. Adeus. (Sussurro ainda.)
Adeus. (Fico à tua espera.)

(Paulo Neto, Novº de 2006. Torso de Maria João Franco, 1996)

2006-11-12

"Derivas" na Universidade de Aveiro: os bastidores do livro





O Professor Doutor Jorge Manuel Martins trouxe a Aveiro, no âmbito das "Derivas" organizadas pelo Departamento de Línguas e Culturas, importantes informações sobre o "teatro" do livro, escalpelizando os meandros e os labirintos da edição em Portugal. Aconteceu no dia 10 de Novembro, depois das 15 horas, numa das salas da Universidade de Aveiro, e o interesse do auditório só afirma o fascínio que o objecto livro sempre desperta. Vêem-se, nas três últimas fotografias, o Professor Doutor Paulo Pereira, que apresentou o palestrante, o Professor Doutor António Manuel Ferreira, mentor da actividade, e a figura do dia, no uso da palavra.
Na ágora e na rua continua vivo esse antigo e único objecto que é o livro.

2006-11-11

magusto na Igreja de Santos-o-Velho



11 de Novembro, dia de S. Martinho
Igreja de Santos-o-Velho 16h30
No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.

Conferência Vicentina de N. S.ª de Lurdes

2006-11-10

"Mais Além": uma revista de Portalegre e um inédito de José Régio




Ao Mário Martins

Perde-se o investigador em buscas contínuas, sem que muitas vezes veja premiado o seu esforço de omnívoro leitor apaixonado pelo objecto escrito. E quem nada escreveu ou perseguiu que o pense: nem sempre os dias são de fartas descobertas neste mundo maior de livros e publicações periódicas e caminhos de escritas, que, de tanto mostrarem, muito mais escondem pelo tempo dentro.
As muitas tapeçarias de paixão são livros e revistas e jornais e papéis e vozes, steinerianas “presenças reais”, sombras iluminantes dentro do olhar também preso aos objectos principais.
Não dependem muito das nossas volições certo esquecimento, certas omissões, abundantes alterações ou arreliadoras gralhas de novos sentidos, outras leituras se proporcionando, diferentes aproximações ao dito que sempre escapa. Possa cada um acrescentar um tijolo ao árduo ofício das opera omnia, exercício de conjunção e trabalho de escavação.
A revista Mais Além, no seu nº 7 da 2ª série, de 1970, então propriedade do Centro das Actividades Circunscolares da Escola do Magistério Primário de Portalegre, coordenada e orientada pelo Professor Manuel Inácio Pestana, promove uma importante homenagem a José Régio, que falecera há pouco. Joaquim Pathé, director da mencionada instituição, bem adverte no prefácio para a importância de um inédito capaz de conglomerar em hino a emoção portalegrense.
Contendo a publicação, para além das palavras proemiais de Pathé e de abundante iconografia, um “Testemunho” de J. Grave Caldeira, um fac-símile de uma carta regiana dirigida à revista, um ensaio de Carlos Garcia de Castro intitulado “Critério para a visão de um mestre”, um excerto de Moreira das Neves de nome “José Régio e a Graça de Deus”, um texto de Manuel Inácio Pestana sobre Régio coleccionador, uma entrevista com Manuel Bilé, uma “Paráfrase a um poema de José Régio” por Fernando J. B. Martinho, um testemunho do Cónego J. Assunção Jorge sobre o conteúdo religioso do Poeta, uma evocação do deputado e edil portalegrense Manuel de Jesus Silva Mendes, um memorial pelo Cónego Anacleto Pires Martins, uma reflexão de Ernesto de Oliveira sobre cinema e Régio, poemas laureados com o “Prémio Literário José Régio” de Fernando Mendes e Maria de Fátima Vicente Ferreira, destacarei do conjunto a transcrição da conferência proferida, em Portalegre, por Firmino Crespo, na noite de 25 de Fevereiro, e que aparece na revista subordinada ao título “Firmino Crespo fala de José Régio”, para de imediato segmentar apenas o que ao tal inédito diz respeito.
O conferencista, a dado passo, refere um poema regiano, de nome “Canção de Portalegre”, logo acrescentando: “Ignoro se está publicada algures, mas como possuo uma cópia manuscrita, eis parte do que foi escrito por José Régio.” Sem acto interpretativo sobre a frase de Crespo, eis a composição em causa:

Canção de Portalegre

De Portalegre cantando,
Meu canto é doce e é amargo:
Já sinto os olhos turvando,
Já sinto o peito mais largo…

Ai! torres da velha Sé
Ai! muros do burgo estreito!
Sempre vos rezo com fé
Se me levanto ou me deito.

O céu das tardes compridas
Parece que vem baixando;
E as torres são mãos erguidas
Que quase lhe estão chegando!

Ao longe se perde o olhar
Nas névoas dos horizontes…
E a terra parece o mar,
Parecem as ondas os montes.

Tem cada ruela estreita
Casas pobres e opulentas
Meu gosto nenhum enjeita:
Todas são minhas parentas…

Olhei da Serra a cidade,
Tão branca, estreita e comprida
Fez-me alegria e saudade,
Assim de noiva vestida…

Concluo agora, dizendo que não encontro este poema, completo ou incompleto, incluído nos dois volumes de poesia da “Obra Completa” de José Régio, que a Imprensa Nacional-Casa da Moeda publicou, em 2001, com introdução de José Augusto Seabra. Com Gadamer, digo dever ser revelado “o que sempre tem lugar”, preenchendo-se assim, com esta inclusão, uma falha que é nova luz.

2006-11-09

"Os bastidores do livro" - por Jorge Manuel Martins






LIVROS NA VIDA
LIVROS NA VIDA
LIVROS NA VIDA
LIVROS NA VIDA
LIVROS NA VIDA







LIVROS SÃO VIDA...

carne

Sabes, nem longe, nem distância,
irene assomando o disse,
só este novembro dentro dos ossos
e esta brancura encostada à pele.

Dos segredos, só o íntimo respirar,
a capa porosa e o antigo ardor,
sabes, nem chama ou segredo,
só este novembro já quente,
irradiante de ondas e traços,
giz caindo sobre os corpos.

não sabes o jogo on a bed
nem o fogo lâmina no sangue
ou a flor irrompendo no cuore.

não dentro da treva nem bicicleta
navalha dentro do músculo ou
teia dentro da teia, sabes,
a aranha roendo a ardósia
e o tempo cortado no braço.

na carne a manhã o bolso tímido até.

2006-11-07

Depois de várias "Derivas", outra se aproxima, na Universidade de Aveiro (DLC)...









Na comemoração dos 25 anos do CENOFA – Centro de Orientação Familiar, Associação sem fins lucrativos, vamos realizar o Congresso “25 ANOS A CONSTRUIR RELAÇÕES FAMILIARES COM FUTURO”, nos dias 10 e 11 de Novembro 2006, no Anfiteatro 3.2.14 da Faculdade de Ciências, ao Campo Grande, em Lisboa.
Para connosco comemorar esta data, convidámos várias personalidades de mérito sobejamente reconhecido (vide folheto em anexo), que nos falarão sobre os temas queridos do Cenofa: o Amor, o Matrimónio, a Família e seus problemas, a Educação dos filhos e a Cultura intergeracional da família.

Para a realização deste evento contamos com a colaboração de muitas boas vontades, mas nada se consegue sem a generosa contribuição de um núcleo de apoiantes, que defendem os mesmos princípios humanistas para a família.

Teríamos o maior prazer em contar com a vossa presença e de alguns amigos vossos neste evento.

Esperando o melhor acolhimento muito agradecemos, desde já, o vosso apoio.

Com os nossos melhores cumprimentos

Fátima Fonseca
Presidente do CENOFA

CENOFA – Centro de Orientação Familiar
Travessa do Possolo, 11-3º 1350-252 LisboaTelef : 21 397 9680 Fax : 21 397 9681 E-mail: cenofa@cenofa.org

Beato Nuno Álvares Pereira - 6 de Novembro



Beato Nuno Álvares Pereira, Confessor (+ Lisboa, 1431), Condestável do Reino de Portugal, venceu brilhantemente os castelhanos nas batalhas de Atoleiros, Aljubarrota e Valverde, assegurando assim à nação lusa a independência e a fidelidade ao verdadeiro Papa. Rico e poderoso, tinha o senhorio de aproximadamente um terço do território português, mas a tudo renunciou por amor de Deus, ingressando como irmão leigo no Mosteiro do Carmo de Lisboa, que ele mesmo edificara, e adoptando o nome religioso de Frei Nuno de Santa Maria. Sua espada sempre invicta, que tinha gravada na lâmina o santo nome de Maria, foi depositada no altar, nas mãos do Profeta Elias, fundador da Ordem carmelita. Uma filha do Santo Condestável casou com D. Afonso, filho do rei D. João I de Portugal. Desse casal procede a Sereníssima Casa de Bragança, que reinou em Portugal até1910 e no Brasil até 1889.

costuras: a teologia e a filologia




Os livros são e serão sempre um manancial inesperado de tesouros (do lat. thesaurus).
Hoje, arrumando prateleiras, vem-me à mão um velho tratado de Teologia Moral, escrito pelo Padre da Companhia de Jesus, Hermano Busembaum, publicado em Madrid, em 1665.
Desfolhei-o ao acaso e eis senão que de dentro dele me caem umas tesoiras (do lat. tonsoria) e um rol de dívidas manuscrito.
Aqui vos deixo as imagens.

Nota: As tesoiras estão em muito bom estado, competentemente aguçadas e têm um recorte finíssimo no ferro; o rol parece que foi escrito hoje, tal a sua clareza e perfeição.
[palavras, imagens & objectos de paulo neto]

2006-11-05

sombra

com as mãos abro a noite
os lugares sombrios
a velha memória
do corpo fustigado.

com as chamas nos dedos
o coração arde e incha
explodindo na penumbra.

é esta a vagarosa sombra.

2006-11-04

Par ódia


Par ódia

I.
O enlaçar do nó:

(De sol a sol) lábeis olhos te assestam insistente e penetrante (a questão). Esfíngica te encerras (no mistério da pedra). A areia voa (em teu torno milhões de grãos). Vem a noite (e o frio) e tu repousas. De tua boca, o (leve) suspiro, arrastado (e ténue), se ensarilha (na escuridão). A alvorada repega-te (e à luz te re-expões). E de novo os lábeis olhos (te miram), ausentes (ainda) da questão irrespondível. E será assim (por muito tempo). Não há pergunta (nem resposta). Inauditas, (ambas) se silenciam. (Só) o olhar penetra na pedra. (Sofrido do saber) que o ilumina. Grito nas areias (que em teu redor dançam como véus tapadores da nudez exposta). Contragosto do acto (e efeito do feito agora na pedra rilhado).

II.
O desenlaçar do nó:

Esperei-te (tanto). Fiz da espera ascese (e esqueci sua causa). Agora que vieste, perdi culpa (e mácula), e nesta (inesperada) pureza, meus braços não se erguem (para te acolher). Meus olhos não te reconhecem (e só o riso me ecoa de outrora). Expuseste a nudez (de um seio). (Quase). Mexeste (muito) com as mãos. (O ar). Roucamente (dispensaste) o corpo. (Em vão). Na distância, (alheado), li os sinais. (Impávido), travei a comunhão. O tempo (que demoraste)…

III.
Reditus ad rem:

Que fruto teu furto deu (que não chegaste a comer)? Que tentação (te perdeu)?
[palavras & imagem de paulo neto]

2006-11-03

Testemunho do Padre Ubaldo Orlandelli


A FRATERNIDADE
S.CARLOS BORROMEU
convida a ouvir o testemunho do Padre UBALDO ORLANDELLI
missionário na Sibéria há 10 anos

Sábado 4 de Novembro
Igreja dos Pastorinhos (ALVERCA)
Auditório Irmã Lúcia (2º Piso)

16.00 Encontro – Testemunho

17.30 Convívio

19.00 Santa Missa

2006-11-02

A nova terminologia linguística [importante ensaio de Maria Alzira Seixo, na anterior revista "Visão"]

Maria Alzira Seixo, à direita, no uso da palavra.


Para ler melhor, prima com o rato a imagem textual.

A sublimação [uma importante reflexão de Vasco Graça Moura sobre a TLEBS]


Há perto de um ano, abordei nesta coluna a questão da nova terminologia linguística para os ensinos básico e secundário (TLEBS).
Agora, com a serenidade olímpica e a autoridade incontestável que lhe vêm do muito saber académico, de uma longa experiência cultural e pedagógica e de um bom senso elementar, Maria Alzira Seixo, numa síntese fundamental, "A TLEBS e a educação" (Visão, 26.10.2006), põe em evidência como certos sectores da Lin- guística em Portugal (talvez, digo eu, por qualquer descompensação da ordem do freudiano...) se estão solenemente nas tintas para a Literatura e para o papel essencial que esta deveria ter no ensino e na aprendizagem da língua portuguesa.
Demonstra que nunca é inocente a substituição de uma terminologia gramatical por outra e anota não ser cientificamente consensual, nem isenta de muitas incoerências, a orientação universitária que foi imposta através da TLEBS e que não deveria, portanto, ter sido considerada "representativa para uma orientação ministerial".
Sublinha que nem a Gramática nem a Língua são feudo exclusivo da Linguística e estão também indissoluvelmente ligadas à Literatura e à Filosofia.
Exprime o receio, mais do que fundamentado, de que o pensamento subjacente à TLEBS não favoreça a qualificação educativa.
Denuncia o autismo teórico das concepções subjacentes à TLEBS e os "raciocínios tecnicistas e funcionais, com uma óptica exclusivista e auto-suficiente que, não dialogando com áreas centrais do pensamento humanístico, estreita a compreensão gramatical".
Aponta o lado abstruso, aberrante e incompreensível de muitos aspectos da terminologia em questão, bem como os equívocos a que isso dará lugar, tanto no plano da docência como no da discência.
E observa: "Não é por serem diferentes que as designações são inovadoras ou adequadas; Rodrigues Lapa mostrou há décadas, relacionando linguística e literatura, que a estilística da língua matiza as categorias gramaticais e a actualiza em alterações da norma praticadas por escritores que criam valores que a categoria não contém e é a literatura que vai fixando."
A rematar, uma evidência clamorosa: "Ninguém pode obrigar um professor a ensinar mal."
Também Maria do Carmo Vieira publicou um excelente artigo, "O regresso da polémica", no JL de 25.10.2006, em que, depois de uma breve resenha da tragicomédia do ensino da Gramática, dá uma série de exemplos de pôr os cabelos em pé.
Entre outros, há pronomes indefinidos que dão agora pelos nomes sorumbáticos de "quantificadores indefinidos", "quantificadores universais" e "quantificadores relativos". Nos advérbios, encontramos coisas alucinantes como "advérbios disjuntos avaliativos", "advérbios disjuntos modais", "advérbios disjuntos reforçadores da verdade da asserção" e "advérbios disjuntos restritivos da verdade da asserção". O sujeito indefinido passa a ser o luminoso "sujeito nulo expletivo". O "aposto ou continuado" chama-se bombasticamente "modificador do nome apositivo", podendo ser do tipo "nominal", "adjectival", "proposicional" ou "frásico"...
Isto posto, o que é que leva a ministra da Educação a aceitar um conjunto de enormidades deste tipo e a desatender as muitas objecções que, sem dúvida, lhe chegaram da parte de inúmeros professores?
Quem são os responsáveis que, no seu ministério, se vêm enfeudando a estas aberrações, conseguindo fazê-las consagrar na lei, com os resultados desastrosos que todos conhecem? Não lhes acontece nada? Ninguém pensa em pô-los na rua?
Não se vê que a avaliação dos professores, face ao novo estatuto, se vai tornar absolutamente impraticável nesta matéria? Nem que o ensino se vai degradar ainda mais?
Será isto uma política da Educação? Será assim que a cooperação com os outros países de língua portuguesa vai ser mais eficaz, no tocante ao ensino e promoção da língua comum?
Não há um deputado à Assembleia da República para interpelar o Governo, uma associação de pais para protestar com energia, uma associação de professores para se recusar terminantemente a pôr em prática esta pepineira?
Assim como a sublimação implica a passagem do estado sólido ao estado gasoso, sem passar pelo intermédio, temos agora este trânsito da ignorância geral à embrulhada específica, sem se passar pelo estado intermédio e necessário de um ensino razoável e sensato.
Por alguma razão a palavra "gás" deriva de kaos. Esse será o resultado deprimente do ensino gasoso que a TLEBS nos prepara.

(DN, 1 de Novembro de 2006)

leilão de fotografia

2nd Photography Auction

rosto

um lenço breve sobre a ferida
não estanca o calor dos dedos
nem a reversa pele pintada.

no lençol espraia-se o sangue
contra o musgo da sombra
que fustiga a boca a carne.

um fio só o teu rosto.