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2012-03-26

lacrimal

nem sempre a palavra trava
este fanal de sangue a veia
corrompida pelo sal as ruínas
dos ossos dentro da mente
o fogo cálido lambendo a pele
este chão raso de lágrimas.

quando vens onde as aves?

2012-03-25

sangue

o céu veste-se atrás da persiana
e consanguíneo o mar despe-se
sobre as cicatrizes dos dias...

fixo o espelho do caminho afaga
os passos como se a memória
viesse à boca à rara saliva
das ondas ao sal dos pulsos
a esta subsistência do sangue.

2012-03-19

líquidos

por sobre a água os pés fundos bailam
e por muitos que esperes a humidade
há de entrar em ri e roer-te as vísceras.
só então à condição chegado saberás
que uma imagem fica parada no tempo
e que o atlético salto é já o teu abismo.

transmuta-te em imagem e sê olímpico.