2007-05-28

sanguínea

do olhar uma vertigem uma viela suja
e dos currais só o cheiro a velha morte.

nada interessa dentro do pântano assim
e nem as velhas aldeias ao acaso do rito
hão-de abraçar a sumptuosidade do acto.

quem quiser que o queira e na funda dor
acorde do rito o veneno saia castrador
como um enigma no verniz da usurpação.

pelos vinhos o sangue nas veias avisa que
das cinzas os poetas nascem alba e gancho
rompendo as veredas para dentro da luz.

eis o trigo sem altar saqueado ou harpa
corrompida pelos golpes terroristas.

a pele pressente e aceita a ânfora do sangue.

8 comentários:

  1. Anónimo3:49 p.m.

    Belíssimo poema!!!!!

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  2. ... sangue que alívia ...

    Abraço
    MF

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  3. Anónimo4:34 p.m.

    o duque disse.









    belíssimo.


    aqui sim. se rasga o dia.


    harpa antiga....


    beijo.


    Martim.




    y.

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  4. Anónimo6:51 p.m.

    Nostálgico cenário me é evocado, sucessão de imagens que desvelam uma das épocas mais felizes da minha vida, a infância: currais, vielas, pântanos/ canaviais, vinho e trigo...
    "a pele pressente e aceita a ânfora do sangue" e o meu traduz ondas de paixão por um paraíso perdido, mas não irrecuperável...vive no meu ser total...

    Bjs. Boa semana.

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  5. Anónimo11:20 p.m.

    Também gostei deste sangue...

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  6. Anónimo3:00 p.m.

    Belo e profundo altar...

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