2007-01-23

natal

os secos lábios sorvem a noite fria
e nem os dedos dentro da cinza
auscultam os passos da morte
presos aos umbrais das nuvens.

a tontura cessa e o gelo cristalino
irrompe pela frincha dos pulsos
inundando o chão as sombras.

no ondulado dos lábios queimados
gritos lancinantes dormem ainda.

longe o albanil regressa do mar
e pousa na anca no ventre moído.

entre um corpo e outro nasces então.

12 comentários:

  1. boa-noite martim

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    BELO
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    [e sim: natal é quando um homem quiser

    abraço

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  2. diria que irromper assim por um qualquer natal é queimar toda a geografia. e ainda bem.


    alegoricamente este é um presente de claridades.


    beijo Martim.

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  3. Anónimo9:13 a.m.

    De outra forma fez-me pensar num poema do Rodrigo que termina, cito de cor, ajoelhemos os três em presépio.

    Úm abraço

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  4. Anónimo11:21 a.m.

    Feliz natal... Abraços!

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  5. tás inspirado.como sempre.o poeta tem razão.é natal.
    abraço

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  6. Anónimo3:32 p.m.

    Bonito poema também de natal...

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  7. Anónimo7:12 p.m.

    Grande natal...

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  8. Anónimo11:09 p.m.

    Abrir os olhos para a vida, recomeçar, renovar, mas porquê nascer? não há memória de morte que justifique um nascimento daquele que já é. Mas valeu o poema e assim sendo, vale a pena o parto! (...)

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  9. Anónimo11:45 p.m.

    Ah, esta música... que é?

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  10. querido/a anonymous, a música é dos blur.

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  11. Anónimo12:32 a.m.

    Querida, but never mind, let blur be! What song, if I'm not boring you...?

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  12. Anónimo4:00 p.m.

    Poema nascendo sempre. Abraço da margem.

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