CREPÚSCULO
Cai no pontão a noite
corpo que se une à cidade
trazes o pão o vinho
a mesa sobre os ombros
ao lado outros homens
regressam ao silêncio das casas
ao ranger das madeiras
aos tecidos moldados pelo tempo.
Da consciência bruta
um relâmpago fere agora o caminho
por que avanças solitário
preso às sombras e ao manto da noite
que te desenham o rosto e te apressam
o coração que cavalga no peito.
Para que vens, triste, até mim,
seguindo o fogo o abismo da noite
e os passos do poeta sagrado?
Mas é já tarde – troça o louco dentro de ti…
WOLFGANG
Junta-se à pele a palavra
(assim a visão do poeta)
que Goethe à frente do tempo
desde há muito anunciou:
um canto e solitário vinho
e um lume dentro do cérebro.
LIVRO DA MEMÓRIA
Superfícies intensas as da memória
quente contra o silêncio
do íntimo da casa das palavras.
Súbito cai o mel e uma pequena nascente
uma luz mais luminosa
rodeia o olhar infuso
confundindo-se na humidade do coração.
No pulsar das carótidas
acende-se então o lume
a pique dentro da casa
a pique dentro da fonte.
caio. a pique. sobre esta página.
ResponderEliminarcomo sempre. em êxtase.
P.s. não consigo entrar no blogue do Al...
deixo aqui um abraço para ele. beijos Martim.
Gostei. Abraço também!
ResponderEliminarA pique em cima da "Ave". Boa-tarde!
ResponderEliminarboa noite amigo
ResponderEliminar:
já os conhecia pelo jornal, mas é sempre bom voltar a lê-los, tanto outra vez volvido certo tempo, melhor dito, conhecê-los como se fosse primeira vez.
abraço
isabel, eu entro no al. algo se passa no acesso. boa-noite. e bjos.
ResponderEliminar