2006-03-31

a poesia vertiginosa de Luiz Guedes

Fotografia de Margarida Delgado

Como a poesia de Luiz Guedes é um flagrante e indesculpável descaso literário, retiro ainda de sub solo (1932) o poema

advertência

Também eu, também eu desci à arena

levado na vertigem do ciclone;

a abrindo a boca num esgar de clown

também eu, também eu entrei em cena.

Também um fiz soltar da minha avena

o meu inquieto après midi d'un faune;

também, também eu fui o cicerone

duma alegria que era a minha pena.

Fui companheiro de Lusbel na luta

entre os anjos do céu e na disputa

herdei apenas este instinto aziago:

cantar, uivando como os cães à lua,

enquanto na minha alma se insinua

este destino bárbaro que trago.

Também existe muita literatura desconhecida, não é, caros leitores?


5 comentários:

  1. pois será certamente.....e para gozo dos que amam. a poesia.



    bjo.
    martim.

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  2. Anónimo3:54 p.m.

    Que feliz descoberta!Obrigado...

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  3. Anónimo5:35 p.m.

    Este também é muito bonito. Boa-tarde!

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  4. Anónimo2:12 a.m.

    Mas é um maravilhoso poema... JCV

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  5. gostei de ler...muito

    jocas maradas de palavras

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