2006-02-19

as naus já não existem em Olivença

o silêncio nas casas incomoda a lepra dos muros.
a chuva que fende a noite inunda a liquidez das pedras
e das naus que já não existem em olivença.
as paredes caladas sofrem o tempo passado
que não mais será, água sobre água que cai.
o musgo antigo toma o granito e as fendas,
os fungos e os líquenes entalam-se no flanco.
das janelas o lixo da usura inunda a praça
e cai sobre os uivos dos cães dentro do escuro.
inverno é já muito no corpo espacejado desta pátria
sem a língua na morada e o rosto fora do corpo.
em dezembro o corpo há-de ser corpo...

3 comentários:

  1. água que cai no flanco dos dias....

    bom dia Martim.


    (e eu que nunca lá fui...)

    vou agora pelas suas palavras....
    beijo.

    ResponderEliminar
  2. ...a chuva na noite é uma cortina de anémonas...

    abraço

    ResponderEliminar
  3. Anónimo10:41 p.m.

    Olivença é nossa.

    ResponderEliminar